sábado, 2 de dezembro de 2017

Agatha Cristie

A inglesa Agatha Cristie, grande dama dos romances policiais de mistério e suspense, a "rainha do crime", teve um episódio de desaparecimento em sua vida, quando sumiu por algum tempo, depois de seu marido revelar que estava apaixonado por outra mulher e queria o divórcio. Ela,  em dezembro de 1926,  já era uma autora famosa. Depois de o marido ter saído para passar o fim de semana com a amante e alguns amigos, Agatha fez a mala com roupas e, à noite, saiu dirigindo seu carro. Na manhã seguinte o veículo foi encontrado à beira do lago Silent Pool, com uma mala, um casaco verde de pele e uma carteira de motorista da escritora, vencida.
O sumiço da escritora virou notícia e até uma recompensa foi fixada para quem desse notícias sobre seu paradeiro. A busca envolveu aviões que sobrevoaram o lago, na primeira vez em que foram usados para buscar uma pessoa desaparecida na Inglaterra. As especulações sobre seu desaparecimento sugeriam até que ela tivesse sido assassinada pelo marido. Onze dias depois de seu carro ter sido encontrado, soube-se que ela estava hospedada no Hydropathic Hotel, sob o nome de Teresa Neele, - sobrenome da amante de seu marido - e dizia ser da África do Sul, moradora da Cidade do Cabo, uma mãe de luto pela morte de seu filho. Foi reconhecida pelo músico Bob Sanders Tappin, que reivindicou a recompensa. 
Agatha alegou amnésia temporária para seu desaparecimento, diante de forte trauma emocional. Há uma suposição de que ela teria deixado sua casa com a intenção de cometer suicídio. Tal teoria, divulgada pelo autor Andrew Wilson no livro de ficção "A Talent For Murder" ("Talento para Matar" em uma tradução livre) baseia-se no livro, publicado em 1934, que ela escreveu sob o pseudônimo Mary Westmacott, intitulado "Retrato Inacabado", um romance semi-autobiográfico, no qual a personagem pensa em suicídio após ser abandonada pelo marido.
Agatha só se separou de Archibald dois anos após o incidente de 1926. Depois da separação, no outono de 1928, o arqueólogo britânico Leonard Woolley convidou-a para conhecer as escavações em Ur, no Oriente Médio. No ano seguinte, ao retornar a Ur, Agatha conheceu Max Mallovan, assistente de Woolley. Ela casou-se com Max, 14 anos mais novo que ela, em 1930. Com ele, ela viajou pelo mundo fazendo escavações e tomando conhecimento sobre arqueologia. Ela trazia suas experiências para a ficção. Escrevia sobre o que conhecia, locais que visitara, sobre o que gostava. Criou um estilo próprio. Suas histórias são cheias de pistas, suspeitos improváveis, disfarces, quartos bloqueados, intuição doméstica e outros tipos de dispositivos que conduzem a ação e prendem o leitor. Seus finais são sempre surpreendentes, o que a torna uma autora instigante, porque o óbvio não faz parte da história. Mesmo quando achamos que sabemos o final, somos surpreendidos. Agatha utiliza-se de uma narrativa na qual o personagem principal, normalmente o detetive, sempre sabe mais do que nós, mais do que todos. Esse tipo de narrativa causa uma surpresa final, pois não somos capazes de antecipar o desfecho. 
Agatha Cristie, em seus 56 anos de carreira, escreveu mais de 80 livros. Atuou como romancista, contista, dramaturga e poetisa. Suas obras ganharam adaptações cinematográficas e televisivas e está no Guinness Book como a autora mais vendida no mundo. Só fica atrás de Shakespeare e da Bíblia. Foi traduzida em 103 idiomas e continua ganhando novos leitores e fãs todos os dias. Todos amamos boas histórias e Agatha Cristie tem várias delas para nos contar.

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