quarta-feira, 28 de março de 2018

Primeira mulher a escrever - Sadomasoquismo no Brasil

Texto retirado do Blog descobrindo o BDMS
Wilma Azevedo é uma escritora brasileira de sadomasoquismo que surgiu na década de 70, em plena ditadura. Convidada pela revista Ele&Ela para explorar esse novo fetiche no Brasil, Wilma inova ao cunhar o termo "sadomasoquismo erótico", principalmente para diferenciá-lo do sadismo e da crueldade dos Ditadores e torturadores dos anos de chumbo.


Comunicando-se com leitores que até então encontravam parceiros apenas em classificados eróticos, Wilma publicou diversos contos e posteriormente os compilou em produções de baixo custo. Precursora do sadomasoquismo erótico, inspirava-se nas cartas recebidas pelos leitores para seus escritos ficcionais, dando voz às fantasias e práticas dos integrantes desse meio.
O surgimento de uma mulher como Wilma em plena ditadura, embora alinhada ao meio editorial que privilegiava apenas os homens enquanto autores e público, revela uma possível relação entre movimentos feministas, praticantes do sadomasoquismo erótico e comunidades envolvidas na luta por mais liberação sexual no Brasil - como evidência, podemos citar a insistência quase pedagógica de Wilma sobre a consensualidade. Essas comunidades, inclusive o movimento gay, alinham-se contra a Ditadura.
Seus contos reivindicam normalidade aos sadomasoquistas eróticos, embora ela utilize a própria estrutura do discurso médico para criar novas classes e gerar uma "pedagogia" legitimadora dessa suposta normalidade. De qualquer forma, a autora detém o mérito de, pela primeira vez, questionar o estigma relacionado aos sadomasoquistas, aos fetichistas e às noções médicas de perversão sexual.

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